Doutora Gisele Basso, da Unimed Araxá, comenta como proteger a pele e os possíveis tratamentos que podem ser prescritos

Em casa ou no escritório, um dia diante do computador pode terminar com a testa marcada, a base craquelada e o rosto repuxando. A tela leva a culpa muitas vezes, mas o espelho dá algumas pistas de que pode haver mais de uma explicação. Você termina o expediente, passa pelo espelho e pensa: “Eu estava assim na última reunião?”
A linha entre as sobrancelhas parece mais funda e a base, que de manhã estava ótima, agora fez questão de mostrar cada pedacinho de pele seca. Mais tarde, quando você finalmente se deita, vem a coceira. Depois de tantas horas diante do computador, a tela vira a primeira suspeita.
Comecemos pela famosa luz azul. Ela está nas telas e na luz do sol, em intensidades bem diferentes. Até agora, as pesquisas não demonstraram que a luz azul de celulares e computadores, no uso habitual, acelere o envelhecimento da pele. Um estudo de 2025 mediu a emissão de seis telas e encontrou doses baixas nas condições avaliadas. Se sua mesa fica junto a uma janela ensolarada, dê mais atenção à luz que entra por ali. Para quem tem melasma, um protetor solar com cor e óxidos de ferro pode ajudar a proteger também contra a luz visível do sol, que contribui para escurecer as manchas.
O computador também entra nessa história. Pense na expressão que você faz para ler aquela planilha com letra minúscula. Se a linha entre as sobrancelhas aparece quando você franze a testa e suaviza quando relaxa, ela é uma linha de expressão. Com o tempo, alguns desses vincos ficam visíveis mesmo em repouso. Se você passa o dia apertando os olhos para ler, experimente aumentar a fonte e reduzir os reflexos na tela.
Já a base craquelada é outra história. Se o ar-condicionado fica ligado o dia todo e as bochechas chegam ao fim do expediente ásperas e repuxando, a baixa umidade pode ter contribuído. Água muito quente e limpeza agressiva também podem aumentar o desconforto. Experimente diminuir a temperatura da água e usar um limpador suave e um hidratante sem fragrância. Quanto à maquiagem, use se tiver vontade. Nos dias de base, hidrate primeiro as áreas mais secas e retire a maquiagem com suavidade antes de dormir.
Se a pele descama sempre no mesmo lugar ou as pálpebras coçam toda vez que você usa um cosmético, vale investigar. Uma reação a um produto ou uma crise de dermatite atópica pode começar parecendo só ressecamento. Onde apareceu, o que você passou na região e quando começou a coçar são detalhes que ajudam no diagnóstico. Ao contar essa história no consultório, às vezes a pessoa lembra de mais um detalhe. “Doutora, toda vez que tenho uma semana daquelas, minha pele piora.” Pode haver uma ligação!
O que o estresse pode provocar?
O estresse pode agravar a dermatite atópica, a acne e a psoríase em algumas pessoas. Num estudo com estudantes, por exemplo, a barreira protetora da pele demorou mais para se recuperar durante o período de provas. E a relação vai nos dois sentidos. Você coça, dorme mal e, no dia seguinte, encara mais um expediente com poucas horas de sono. Por isso, “acordo três vezes por noite para coçar” é uma informação que pode mudar o plano de tratamento.
Mas será que uma semana puxada envelhece a pele? Depois de algumas noites mal dormidas, é fácil sentir que a semana inteira ficou estampada no rosto. A aparência de cansaço pode mudar de um dia para o outro, mas rugas e perda de firmeza se desenvolvem ao longo do tempo. O estresse prolongado pode ter alguma participação nisso. As pesquisas sugerem que ele interfere em processos ligados à inflamação e à manutenção do colágeno, que ajuda a dar firmeza à pele. Em pessoas, porém, ainda é difícil saber quanto disso se traduz em rugas e separar o efeito do estresse do efeito de fatores como sono e exposição solar.
E tem algo que a gente possa fazer?
Diante de tantos incômodos é comum ouvir no consultório: “Doutora, existe algum procedimento para essa cara de cansada?” A resposta depende do que incomoda. Se é a linha entre as sobrancelhas que aparece ao franzir a testa, a toxina botulínica pode suavizá-la ao reduzir temporariamente a contração dos músculos da região. Um vinco mais fundo, visível mesmo com a testa relaxada, pode melhorar e ainda permanecer um pouco marcado e necessitar de um outro procedimento. Já se o rosto repuxa, descama ou coça, o primeiro passo é entender se a pele está ressecada, irritada ou com dermatite.
Enquanto a consulta não chega, muita gente busca respostas no celular. Se a pesquisa foi por rejuvenescimento, talvez você já tenha salvado um antes e depois de polinucleotídeos ou exossomos. Alguns estudos mostram resultados promissores, mas os produtos e as formas de aplicação variam bastante, o que dificulta prever a melhora e quanto tempo ela dura, por isso, pergunte qual produto será usado, como será aplicado e que melhora foi observada com aquela técnica.
E, se a sua busca deixou no carrinho um ácido, um retinoide e um esfoliante, começar os três na mesma semana pode deixar o rosto ardendo e dificultar descobrir qual deles irritou a pele.
Quando a pesquisa é sobre a coceira da madrugada, as orientações podem ser ainda mais contraditórias. Um vídeo manda passar uma pomada forte. O próximo diz para jogar fora qualquer corticoide. Uma análise dos 100 vídeos mais populares do TikTok sobre reações associadas à retirada de corticoides tópicos encontrou conteúdo, em geral, de qualidade baixa ou muito baixa. Usar repetidamente uma pomada potente no rosto por conta própria pode afinar a pele. Já interromper um tratamento prescrito por medo de um vídeo pode deixar a inflamação sem controle. Na acne, o uso inadequado de produtos também pode causar irritação e tratamento como a isotretinoína, indicada em alguns casos, exige receita e acompanhamento, com medidas rigorosas de prevenção de gravidez para quem pode engravidar.
E o que dá para fazer quando a coceira é de dermatite atópica? O hidratante ajuda a proteger a pele no dia a dia, e as pomadas anti-inflamatórias ajudam a controlar as crises. A escolha da pomada e o tempo de uso dependem da região. Se, mesmo com esses cuidados, a pele continua muito inflamada ou a coceira segue roubando noites de sono, hoje há mais opções para casos moderados a graves. São tratamentos injetáveis ou em comprimidos que atuam sobre sinais envolvidos na inflamação e na coceira e podem trazer melhora importante para pacientes com indicação. O dermatologista avalia o que já foi tentado, o histórico de saúde e se é preciso fazer exames antes e durante o tratamento.
Da próxima vez que o espelho devolver aquela cara de fim de expediente, repare no que ficou depois de relaxar a testa, tirar a maquiagem e sair do ar-condicionado. Se a descamação vive voltando, a coceira atrapalha o sono ou você quer saber se um procedimento ajudaria, vale conversar com o dermatologista. Conte quando o incômodo aparece, o que você já usou e como a pele respondeu. E, se a lesão costuma sumir bem no dia da consulta, use o celular a seu favor. Uma foto de quando ela estava visível, pode ajudar o dermatologista a esclarecer o diagnóstico e orientar o cuidado que sua pele precisa.
Dra. Gisele Basso Esteves Pires
Médica Dermatologista da Unimed Araxá
Daniel Nacati
Assessor de Comunicação / Unimed Araxá


